
Marianne Salusse-Joset estende as mãos a um trineto, 1892
—Acervo da Chácara do Paraíso (Família Moraes)
“Oh! Bons e saudosos bailes do salão Salusse!”, escreveu Machado de Assis em 1893 sobre o hotel de Marianne Salusse-Joset e seu marido, Guillaume Salusse. Por muitos anos, a vida social de Nova Friburgo gravitou em torno do hotel, finamente decorado e frequentado pela elite que fugia do calor e da febre amarela que grassavam no Rio de Janeiro.
Hotel Salusse, casarão de dois andares famoso pelos bailes, 1870O hotel representa também um momento de superação das dificuldades em uma família que fundou Nova Friburgo. Marianne chegou à colônia em 1819, depois de quase cinco meses a bordo do veleiro Deux Catherine, que partiu de Antuérpia para o Rio de Janeiro. Logo de início, perdeu a mãe e o irmão, contando apenas com o pai para enfrentar os desafios dos pioneiros.
Empreendedora e decidida, vislumbrou potencial na expansão do café em Cantagalo, que transformou Nova Friburgo em parada obrigatória para tropeiros. Para recebê-los, o casal Salusse abriu uma “casa de pasto” e um bilhar.

Os negócios prosperaram.
Em 1837, eles criaram uma hospedaria para os que buscavam nas montanhas cura para doenças como a tuberculose. Dali surgiria o Hotel Salusse.
Marianne sempre dividiu-se entre a família e os negócios. Teve oito filhos e muitos descendentes, que a chamavam de “Grand Maman”.