
“Falar sobre música é uma besteira, mas executá-la é uma loucura”, dizia Smetak.
Influenciado pela doutrina esotérica de Helena Blavatsky, ele dizia estar mais interessado no mistério dos sons do que no da música. “Tenho procurado diferenciar claramente o fazer som, um meio de despertar novas faculdades da percepção mental, e o fazer música, apenas um acalento para velhas faculdades da consciência.”
Em 1929, ingressou no Conservatório de Zurique. Continuou seus estudos no Mozarteum de Salzburg e diplomou-se como concertista de violoncelo em Viena. Em 1937, contratado pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre, mudou-se para o Brasil.
Foi professor de violoncelo no Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, trabalhou na Sinfônica Brasileira e, em São Paulo, no Teatro Municipal.
Tornou-se professor da Universidade Federal da Bahia, em 1957. Em Salvador, encontrou espaço para suas experimentações.
Walter Smetak estudou no Conservatório de Zurique e diplomou-se como concertista de violoncelo em Viena
—
Acervo Família Smetak
Criava novos instrumentos em busca de uma nova música. Nasceram assim as “plásticas sonoras”, instrumentos feitos com cabaças, cordas, tubos de PVC e outros materiais que aproximavam música e artes visuais.
A Tropicália descobriu Smetak. Sua oficina era frequentada por Gilberto Gil, Rogério Duarte, Tom Zé. Caetano Veloso produziu um de seus álbuns.
“Eu costumava chamá-lo carinhosamente de Tak, Tak”, conta Gilberto Gil. “Não só pelo expediente afetivo de abrandar, com um apelido, a suposta/imposta seriedade da relação mestre/discípulo, como pela lembrança que a sua condição de suíço trazia de relógios.”